huhummm o semba, semba é canto de avenida, é chuva de primavera, semba é morte semba é vida,huhummm o semba semba é o meu choro do lente, olhar nossa vida de frente semba é suor semba é gente, o canto, do semba o canto do semba ele é nobre, o canto do semba ele é rico, o canto do semba ele é pobre, o canto do semba ele é rico, o canto do semba ele é pobre, o semba do morro o semba do morro é fogueira, o semba que trás liberdade, o semba da nossa bandeira, o semba que trás liberdade,o semba da nossa bandeira. huhummm o semba, semba é canuco de rua, na escola da vida ele cresce, de tanto apanhar se habitua,na escola da vida ele cresce, de tanto apanhar se habitua, a voz do meu semba a voz do meu semba urbano é a voz que me faz suportar orgulho em ser angolano, é a voz que me faz suportar orgulho em ser angolano, angolazé, o sembaaaaaa semba é a nossa alegria paulo, semba é a nossa bandeira é esperança é amor, hummm o sembaaaa semba tua maneira moh kota, semba é a nossa bandeira nossa forma de cantarrrrr. o sembaaaa semba tua maneira moh semba é a nossa bandeira, nossa forma de cantar. o sembaaaa semba é a nossa alegria paulo, semba é a nossa bandeira é esperança é amor.
sábado, 10 de novembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
Pensamento
Miloud Oukili
sábado, 20 de outubro de 2012
Completas de Manuel António Pina
Completas
A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.
E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.
Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.
Manuel António Pina, in “Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância”
A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.
E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.
Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.
Manuel António Pina, in “Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância”
domingo, 14 de outubro de 2012
PALAVRAS QUE NÃO TE DIREI
Não direi amo-te.
Não direi, preciso de ti.
Não direi que tu e eu
Sendo dois, somos um só;
Dois na existência,
Um na essência,
Dois como corpos,
Um no amor que fazemos.
Dois que se juntam,
Um que se ama em união.
Não direi que és linda,
Não direi que és bela,
Não direi que o teu sorriso
Me faz sorrir porque é teu,
E egoísta, também o quero para mim,
E assim de novo te fazer sorrir
Com o meu sorriso de quem mo deu.
Não direi como gosto de te amar,
Não direi como desejo ter filhos teus,
Não direi como me fazes falta,
A falta que ocasiona
O meu sorriso parecer um esgar
Pela falta do teu lado do sorriso
E os dias parecerem metades,
Faltando a metade que não vivi,
A que é vida em ti.
Não direi
Tantas coisas que não direi.
As que não precisam de ser faladas,
As que não faladas são ditas
Num dizer de entendimento,
Que tu e eu conluiados sabemos:
Uma troca de olhares
Em gestos de ternura,
Uma troca de corpos
Em almas de entrega
Onde tu não sabes se és eu,
Se tu és tu, ou o tu que eu sou!
Não direi, não direi!
Não direi, porque tu não existes
Não direi, porque tu és sonho!
Não direi, mas não abandonarei.
Não direi, mas não perderei.
Não direi, mas guardarei num guarda-jóias
As palavras que não te direi,
Aquelas escondidas que reservo
Para quando te encontrar as dizer,
Mais aquela que tu me irás ensinar
A te saber.
Agradeço ao autor do poema sua cedência.... António M.Viana
(Dedico este vídeo a todos meus amigos que nunca puderam tal como eu dizer certas palavras, quando o fizerem será tarde demais.... Deixo esta mensagem também a alguém especial........ ) <
Não direi, preciso de ti.
Não direi que tu e eu
Sendo dois, somos um só;
Dois na existência,
Um na essência,
Dois como corpos,
Um no amor que fazemos.
Dois que se juntam,
Um que se ama em união.
Não direi que és linda,
Não direi que és bela,
Não direi que o teu sorriso
Me faz sorrir porque é teu,
E egoísta, também o quero para mim,
E assim de novo te fazer sorrir
Com o meu sorriso de quem mo deu.
Não direi como gosto de te amar,
Não direi como desejo ter filhos teus,
Não direi como me fazes falta,
A falta que ocasiona
O meu sorriso parecer um esgar
Pela falta do teu lado do sorriso
E os dias parecerem metades,
Faltando a metade que não vivi,
A que é vida em ti.
Não direi
Tantas coisas que não direi.
As que não precisam de ser faladas,
As que não faladas são ditas
Num dizer de entendimento,
Que tu e eu conluiados sabemos:
Uma troca de olhares
Em gestos de ternura,
Uma troca de corpos
Em almas de entrega
Onde tu não sabes se és eu,
Se tu és tu, ou o tu que eu sou!
Não direi, não direi!
Não direi, porque tu não existes
Não direi, porque tu és sonho!
Não direi, mas não abandonarei.
Não direi, mas não perderei.
Não direi, mas guardarei num guarda-jóias
As palavras que não te direi,
Aquelas escondidas que reservo
Para quando te encontrar as dizer,
Mais aquela que tu me irás ensinar
A te saber.
Agradeço ao autor do poema sua cedência.... António M.Viana
(Dedico este vídeo a todos meus amigos que nunca puderam tal como eu dizer certas palavras, quando o fizerem será tarde demais.... Deixo esta mensagem também a alguém especial........ ) <
sábado, 13 de outubro de 2012
sábado, 29 de setembro de 2012
Excerto de poema de Mia Couto
Não é segurando nas asas
que se ajuda um pássaro a voar.
O pássaro voa simplesmente
porque o deixam ser pássaro.
MIA COUTO
In "Jesusalém ou, no Brasil, Antes de Nascer o Mundo"
Frase de Mia Couto
A idade é isto:
o peso da luz
com que nos vemos.
MIA COUTO
Do poema "Espelho", no livro "Idades, cidades e divindades",
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Mia Couto
Em alguma vida fui ave.
Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante.
MIA COUTO
Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante.
MIA COUTO
sábado, 22 de setembro de 2012
o outono
"Ocorreu o equinócio de Outono boreal. Nos antípodas, renasce a natureza no esplendor da Primavera austral.
Por aqui, os dias vão ficar cada vez mais escuros até ao solstício de Inverno.
Hoje, a Terra espreguiça-se ociosamente antes de ent...rar para os tempos mais difíceis que agora chegam.
Só hoje, o dia é igual à noite. Numa singularidade cósmica, uma harmonia celestial na eclíptica e na órbita elíptica de Kepler.
O amanhã, será mais escuro, cada vez mais escuro. Apesar do colorido deslumbrante com que as plantas se despedem da clorofila. Amanhã, só as estrelas nos darão esperança e sonho, embalados na viagem sideral por mais uma sinfonia outonal, música das esferas perdidas, do fá e do mi terrestres." De António Piedade
Por aqui, os dias vão ficar cada vez mais escuros até ao solstício de Inverno.
Hoje, a Terra espreguiça-se ociosamente antes de ent...rar para os tempos mais difíceis que agora chegam.
Só hoje, o dia é igual à noite. Numa singularidade cósmica, uma harmonia celestial na eclíptica e na órbita elíptica de Kepler.
O amanhã, será mais escuro, cada vez mais escuro. Apesar do colorido deslumbrante com que as plantas se despedem da clorofila. Amanhã, só as estrelas nos darão esperança e sonho, embalados na viagem sideral por mais uma sinfonia outonal, música das esferas perdidas, do fá e do mi terrestres." De António Piedade
dunas - gnr
Dunas
Gnr
Dunas, são como divãs,
Biombos indiscretos de alcatrão sujo
Rasgados por cactos e hortelãs,
Deitados nas Dunas, alheios a tudo,
Olhos penetrantes,
Pensamentos lavados.
Bebemos dos lábios, refrescos gelados (refrão)
Selamos segredos,
Saltamos rochedos,
Em camara lenta como na TV,
Palavras a mais na idade dos "PORQUÊ"
Dunas, como que são divãs
Quem nos visse deitados de cabelos molhados bastante enrolados
Sacos camas salgados,
Nas Dunas, roendo maçãs
A ver garrafas de óleo boiando vazias nas ondas da manhã
Bebemos dos lábios, refrescos gelados,
nas dunas!
Em camara lenta como na TV,
Nas dunas..
Nas dunas..
Naasss duunas...
Naasss duunas..
Refrescos gelados...
Como na Tv.
Nas duunas..
Biombos indiscretos de alcatrão sujo
Rasgados por cactos e hortelãs,
Deitados nas Dunas, alheios a tudo,
Olhos penetrantes,
Pensamentos lavados.
Bebemos dos lábios, refrescos gelados (refrão)
Selamos segredos,
Saltamos rochedos,
Em camara lenta como na TV,
Palavras a mais na idade dos "PORQUÊ"
Dunas, como que são divãs
Quem nos visse deitados de cabelos molhados bastante enrolados
Sacos camas salgados,
Nas Dunas, roendo maçãs
A ver garrafas de óleo boiando vazias nas ondas da manhã
Bebemos dos lábios, refrescos gelados,
nas dunas!
Em camara lenta como na TV,
Nas dunas..
Nas dunas..
Naasss duunas...
Naasss duunas..
Refrescos gelados...
Como na Tv.
Nas duunas..
Michael Kiwanuka - Home Again
Cada canção é uma janela.
Que se abre para o lado de dentro do Sol.
MIA COUTO
Que se abre para o lado de dentro do Sol.
MIA COUTO
MIA COUTO poema "Pergunta-me"
Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
MIA COUTO
Do poema "Pergunta-me"
...
que se queda
na árvore do meu sangue
MIA COUTO
Do poema "Pergunta-me"
...
sábado, 8 de setembro de 2012
sábado, 1 de setembro de 2012
A Italiana de Malangatana
O grupo João Ferreira dos Santos, de origem portuguesa com atividade em Moçambique, ganhou a representação para este mercado africano da marca Fiat.
Queríam lançar a marca de um modo diferente e por isso, pediram ao falecido Malangatana que pintasse um modelo Fiat 500 e acordaram que as receitas da venda do carro reverteriam a favor da Fundação que ele estava a constituir.
Malangatana nunca pintara um carro, nunca trabalhara sobre uma superfície curva, nunca usara tintas para automóvel. Por isso, passou vários dias nas oficinas. primeiro, pintou dois capôs velhos, para experimentar. Não fez nenhum esboço do que viria a produzir. Trabalhou duas semanas seguidas na obra, de sol a sol O resultado foi excelente. Adoro as pinturas de Malangatana.
Queríam lançar a marca de um modo diferente e por isso, pediram ao falecido Malangatana que pintasse um modelo Fiat 500 e acordaram que as receitas da venda do carro reverteriam a favor da Fundação que ele estava a constituir.
Malangatana nunca pintara um carro, nunca trabalhara sobre uma superfície curva, nunca usara tintas para automóvel. Por isso, passou vários dias nas oficinas. primeiro, pintou dois capôs velhos, para experimentar. Não fez nenhum esboço do que viria a produzir. Trabalhou duas semanas seguidas na obra, de sol a sol O resultado foi excelente. Adoro as pinturas de Malangatana.
José Eduardo Agualusa - Tempo das chuvas
José Eduardo Agualusa [Alves da Cunha] nasceu no Huambo, ( a minha terra também)Angola, em 1960.
Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa, Portugal.
Os seus livros estão traduzidos para mais de vinte idiomas.
Também escreveu várias peças de teatro: "Geração W", "Aquela Mulher", "Chovem amores na Rua do Matador" e "A Caixa Preta", estas duas últimas juntamente com Mia Couto.
TEMPO DAS CHUVAS
Antes que venham as primeiras chuvas
acender
Amarelas flores entre os rochedos
E o céu se torne móvel de compridos pássaros
E todo o chão se cubra do verde novo
Do capim
Saberás pelo vento que chegaste ao fim.
MIA COUTO, O Poeta
O POETA
O poeta não gosta de palavras:
escreve para se ver livre delas.
A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.
Quando,
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.
Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.
Com raiva,
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.
O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.
Escrever, talvez,
apenas enquanto dorme.
in IDADES CIDADES DIVINDADES (Caminho, 2007)
jacques brel- ne me quitte pas
Que eu posso dizer sobre esta música, a beleza de suas palavras e a voz de Brel exalta- me um profundo sentimento .Quando fecho os meus olhos sinto a carícia de seus versos
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s`oublier
Qui s`enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Moi je t`offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu`après ma mort
Pour couvrir ton corps
D`or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l`amour sera roi
Où l`amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t`inventerai
Des mots insensé
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vu deux fois
Leur coeur s`embraser
Je te raconterai
L`histoire de ce roi
Mort de n`avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte Pas
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
D`un ancien volcan
Qu`on croyait trop vieux
Il est parait-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu`un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu`un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s`épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte Pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais Plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et t`écoutre
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L`ombre de ta main
L`ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas .
Jacques Brel."
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s`oublier
Qui s`enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Moi je t`offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu`après ma mort
Pour couvrir ton corps
D`or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l`amour sera roi
Où l`amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t`inventerai
Des mots insensé
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vu deux fois
Leur coeur s`embraser
Je te raconterai
L`histoire de ce roi
Mort de n`avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte Pas
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
D`un ancien volcan
Qu`on croyait trop vieux
Il est parait-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu`un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu`un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s`épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte Pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais Plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et t`écoutre
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L`ombre de ta main
L`ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas .
Jacques Brel."
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
O Cercado de Paula Tavares
PAULA TAVARES
O CERCADO
De que cor era o meu cinto de missangas,
mãe
feito pelas tuas mãos
e fios do teu cabelo
cortado na lua cheia
guardado do cacimbo
no cesto
trançado das coisas da avó
Onde está a panela do provérbio,
mãe
a das três pernas
e asa partida
que me deste antes das chuvas grandes
no dia do noivado
De que cor era a minha voz,
mãe
quando anunciava a manhã junto à cascata
e descia devagarinho pelos dias
Onde está o tempo prometido p'ra viver,
mãe
se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
p'ra lá do cercado
in DIZES-ME COISAS AMARGAS COMO OS FRUTOS (Ed. Caminho, 2011)
MIA COUTO, Sem depois
MIA COUTO,
SEM DEPOIS
Todas as vidas gastei
para morrer contigo.
E agora
esfumou-se o tempo
e perdi o teu passo
para além da curva do rio.
Rasguei as cartas.
Em vão: o papel restou intacto.
Só os meus dedos murcharam, decepados.
Queimei as fotos.
Em vão: as imagens restaram incólumes
e só os meus olhos se desfizeram, redondas cinzas.
Com que roupa
vestirei minha alma
agora que já não há domingos?
Quero morrer, não consigo.
Depois de te viver
não há poente
nem o enfim de um fim.
Todas as mortes gastei
para viver contigo.
in IDADES CIDADES DIVINDADES (Caminho, 2007)
POENTE de ALVES REDOL
POENTE
Final de dia, sereno, tropical.
Laivos rubros no azul do firmamento...
E o Sol lança um beijo maternal Sobre a Terra –
um beijo a seu contento - .
Passam negras levando o seu bornal,
Como se fossem levadas pelo vento,
E pirogas, temendo o vendaval,
Atravessam a baía num momento.
A ilha de palhotas e palmeiras,
Junto à ponte, a água em cachoeiras,
Tudo isto, para mim era fatal...
Olhava o mar cheio de ansiedade...
Ia com êle a mais triste saudade: -
A saudade de meus Pais, de Portugal.
ALVES REDOL de Vida Ribatejana, 29 novembro 1931
Final de dia, sereno, tropical.
Laivos rubros no azul do firmamento...
E o Sol lança um beijo maternal Sobre a Terra –
um beijo a seu contento - .
Passam negras levando o seu bornal,
Como se fossem levadas pelo vento,
E pirogas, temendo o vendaval,
Atravessam a baía num momento.
A ilha de palhotas e palmeiras,
Junto à ponte, a água em cachoeiras,
Tudo isto, para mim era fatal...
Olhava o mar cheio de ansiedade...
Ia com êle a mais triste saudade: -
A saudade de meus Pais, de Portugal.
ALVES REDOL de Vida Ribatejana, 29 novembro 1931
Pensamento
Por isso nos emociona com sua confiança
Sensibilidade e docilidade, nos acalma.
Como é cristalino o sorriso de uma criança! "(autor desconhecido)retirado da net
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Saudades Mia Couto
Saudades
Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
...
Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
...
ferindo-se de ternura
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés
Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas
Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta
Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono
In "Raiz de Orvalho e outros poemas"
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés
Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas
Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta
Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono
In "Raiz de Orvalho e outros poemas"
domingo, 26 de agosto de 2012
Poema de Antonio Aleixo
"Embora os meus olhos sejam
os mais pequenos do mundo
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo
Que importa perder a vida
na luta contra a traição
se a razão mesmo vencida
não deixa de ser razão
Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
calai-vos que pode o povo
querer um mundo novo a sério
Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedoria
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia."
António Aleixo
É Doce Morrer no Mar -Marisa Monte & Cesária Évora -
É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi,
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim
É doce...
Saveiro partiu de noite, foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou.
É doce...
Nas ondas verdes do mar, meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá
MIA COUTO, Elementos
MIA COUTO,
ELEMENTOS
Era água, mas ardia.
No centro do teu corpo ardia.
Como um sol em plena chuva ardia.
Era boca, mas navegava.
Entre beijo e barco se perdia, água já sem viagem, navegava.
Rumo a um destino que fica depois do lugar derradeiro navegava.
Pensei que era a noite, mas era a terra.
Em mim se deitava um corpo e era eu que me erguia vazio como um rio nu.
Terra que entreabria e penetrava e, afinal, era semente, flecha de luz, cinza antes de fogo, semente. No falso suicídio da estrela-cadente era terra, água, semente,
Tu. in IDADES CIDADES DIVINDADES (Caminho, 2007)
Para ti Mia Couto
Para ti
Mia Couto
Foi para ti
...
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida
Imagem: Desconheço autoria
Mia Couto
Foi para ti
...
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida
Imagem: Desconheço autoria
terça-feira, 21 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
sábado, 11 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
sábado, 4 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
Solange Cesarovna - Força de Cretcheu
Solange Cesarovna representa Cabo Verde no Festival AFROVISÃO, hoje dia
7 de Julho de 2012 - Costa do Marfim, Abidjan, com Força de Cretcheu, tributo a Eugénio Tavares
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Lágrima de preta
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
...
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
...
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão
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